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Consultoria Farmacêutica especializada em Manipulação Veterinária

Como desenvolver formulações de uso tópico para cães e gatos

Seguindo com a série #dicasdafarma hoje trouxe algumas dicas sobre como desenvolver produtos de uso tópico para cães e gatos. Então vamos lá! 🙂

▶️Primeira dica: CONHECER A FISIOLOGIA, é preciso entender as diferenças entre humanos e animais para garantir a segurança do produto. o pH da pele de cães e gatos é mais próximo da neutralidade (7,0 – 7,4), a pele dos pets é menos espessa e a secreção sebácea possuir maior proporção de ceroides e menor de triglicerídeos, além de outras particularidades.

▶️ Segunda dica: SEGURANÇA DAS MATÉRIAS-PRIMAS, as peculiaridades fisiológicas quanto ao metabolismo dos xenobióticos devem ser consideradas na escolha das matérias-primas, porque além dos pets possuírem uma pele mais “fina” eles podem transformar um produto de uso tópico em uso “interno” pelo fastidioso hábito, inato dos animais de se lamberem e se auto higienizarem, quando da deposição de qualquer substâncias sobre o pelame.

▶️ Terceira dica: DEFINIR A FORMA FARMACÊUTICA, para isso é preciso conhecer o local de aplicação e as características da pelagem alvo. Por exemplo: as pomadas são indicadas para dermatoses de decurso crônico, para aplicação local, pois não é possível aplicar em toda pelagem já que deixam o pelame graxento quando não se procede à tricotomia prévia. Por sua vez, os sprays e névoas são indicados para aplicação de produtos em áreas maiores.

▶️ Quarta dica: CONHECER AS PARTICULARIDADES DOS INGREDIENTES, é imprescindível conhecer as particularidades dos ingredientes, pH de estabilidade, incompatibilidades, solubilidade… de modo a garantir a eficácia e estabilidade do produto. É isso! Formular é uma arte! Usem a criatividade sempre respeitando os pilares de SEGURANÇA e ESTABILIDADE das formulações.

 

🧪 E aí, estão gostando das dicas? Qual a dúvida de vocês? Comente aqui, sua opinião é muito importante.

Medicamentos para uso veterinário SOMENTE em farmácias especializadas

É Decreto de Lei (5053/2004 e atualizações) que, para manipular medicamentos para animais a farmácia deve possuir registro no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, mas além de requisitos legais procurar uma farmácia especializada garante a segurança do seu pet.
A manipulação de medicamentos facilita muito o tratamento dos nossos amiguinhos, principalmente no que concerne a administração. Pois é possível manipular em formatos inovadores como biscoitos, pastas e até mesmo em gel transdérmico… sem estresse!
Mas ATENÇÃO! 🚨🚨Para segurança dos nosso peludos é importante procurar uma farmácia especializada, pois os animais são muito diferentes os humanos, possuem propriedades fisiológicas restritivas e por isso, o medicamento deve ser formulado RESPEITANDO essas particularidades.
Dizem que quem ama cuida 💜
Que tal cuidar oferecendo o melhor?

CUIDADO! Cortar comprimidos pode trazer riscos à saúde do seu animal de estimação.

Isso mesmo! Os medicamentos indicados aos animais são prescritos de acordo com seu peso corporal, sendo assim, um animal de 5 kg deverá tomar uma dose e um animal de 10 kg já tem indicação para o dobro da dose, ou seja, proporcional ao seu peso. Para adequar a terapêutica, muitos médicos veterinários acabam indicando a partição de comprimidos.
No entanto, estudos comprovam que a partição de um comprimido não garante que o ativo esteja disposto igualmente nas partes quebradas, bem como há perda considerável da matéria-prima devido à fragmentação no momento da partição, provocando desde doses subterapêuticas a sobredosagens, prejudicando a resposta do tratamento. Além do que, se o produto tem como objetivo atingir uma área específica no organismo a quebra do revestimento pode interferir na farmacocinética do ativo.
Em artigo publicado no periódico Journal of Advanced Nursing da Universidade de Ghent, na Bélgica, Verrue et al. (2011) descobriram que 31% dos comprimidos que foram divididos tinham uma dosagem diferente da esperada. Isso significa que partir um comprimido de 150 mg em duas partes não é o mesmo que dividi-lo em dois pedaços com 75 mg, podem ocorrer desvios de doses e/ou perda de peso. Até mesmo as pílulas cortadas por aparelhos específicos apresentam grande margem de erro, em 13% dos casos, a dosagem era diferente.
McDevitt et al. (1998) realizaram um estudo com subdivisão de comprimidos, mostrando que 41,3% das partes apresentaram desvios de mais de 10% do peso esperado, e 12,4% tiveram desvios maiores que 20%.
A partição de comprimidos pode ainda ocasionar problemas de estabilidade. Segundo Conti et al. (2007) o armazenamento das partes dos comprimidos também pode interferir em sua qualidade, uma vez que ficam suscetíveis a problemas de estabilidade.
O procedimento empregado na partição de comprimidos é outro fator de insucesso. Deve-se considerar a habilidade do tutor para entender e aderir aos esquemas terapêuticos envolvendo comprimidos partidos.
Dessa maneira, o medicamento manipulado terá um resultado mais eficiente pois é preparado na dose certa, sem desperdícios.
Converse com o Médico Veterinário.

Referências: MCDEVITT A.H; GURST Y.C; CHEN, Y. Accuracy of tablet splitting. Pharmacotherapy, v. 18, p. 193-197, 1998. | VANSANTEN, E; BARENDS, D.M; FRIJLINK, H.W. Breaking of scored tablets: a review. European Journal of Pharmaceutics and Biopharmaceutics. v. 53, p. 139-145, 2002.| VERRUE, E; et al. Tablet-splitting: a common yet not so innocent practice. Journal of Advanced Nursing, v. 67, n. 1, p. 26-32, 2011. | CONTI, M. A; et al. Partição de comprimidos: considerações sobre o uso apropriado. Boletim farmacoterapêutica, ano XII, n. 4-5, 2007.